Não é fácil

A vida não é fácil e quando somos pessoas diferentes pode ficar ainda mais difícil.

Viver com uma doença crónica, ter problemas ou limitações de saúde não é algo fácil de gerir. É preciso um cuidado constante com a nossa saúde, muita paciência e muita tolerância para com a nossa situação. Apesar de todos os cuidados e preocupações, por vezes o medo de ficar ainda mais doente, ter uma nova crise e ficar incapacitados é algo que nos passa pela cabeça, desde que acordamos até conseguir adormecer. A obsessão sobre o nosso estado de saúde pode se tornar em algo muito perigoso e preocupante, e nestas alturas o melhor remédio é mesmo o amor, a amizade, o carinho, o apoio e a compreensão daqueles que nos amam.
Mas infelizmente não conseguimos viver apenas rodeados de pessoas que nos compreendem a 100% e por vezes temos que lidar com pessoas que não entendem muito bem a nossa situação.

Seja no trabalho, no meio familiar, ou no grupo de amigos, irão sempre existir pessoas que ainda não sabem da nossa situação de saúde, e que irão querer saber qual é o nosso problema. Uma explicação mais ou menos breve poderá esclarecer essas pessoas e o seu interesse e preocupação pela nossa saúde pode ficar controlado.
Contudo, também irão sempre existir aquelas pessoas, que apesar de já termos explicado a situação, continuam a fazer perguntas e preocuparem-se com o nosso estado de saúde, o que por vezes pode se tornar incomodativo.

Uma doença crónica ou uma doença auto-imune são doenças incuráveis, que podem ter fases, e que poderão ser controladas através de medicação, alimentação, gestão de stress ou não. Há doenças que não conseguem ser controladas, há doenças que voltam a despoletar crises em situações de stress, há doenças cuja medicação ainda está a ser testada… Existem muitos factores diferentes no que diz respeito ao controlo de doenças crónicas, mas a partir do momento em que o diagnóstico médico é confirmado só há uma opção: aceitar!

Aceita que doí menos

Aceitar a doença crónica é muito importante para o doente, mas também é tão ou mais importante para as pessoas que o rodeiam. A partir do momento em que uma doença é diagnosticada e o doente tem plena noção da sua situação de saúde, e dos cuidados que deve ter para melhorar a sua qualidade de vida, a compreensão por parte da família, amigos, colegas de trabalho é fundamental!
É muito bom sentir que aqueles que nos rodeiam se preocupam conosco e com a nossa saúde, mas a partir do momento em que nós sabemos perfeitamente aquilo que temos e aquilo que estamos a fazer para viver de uma maneira mais saudável e mais feliz, o respeito passa a ser o ponto mais importante.

Irão sempre existir aquelas pessoas que em todas as vezes que nos irão ver, irão perguntar se já estamos melhor. Um doente crónico vive com a doença todos os dias, logo perguntar constantemente se estamos melhor não é uma boa prática. Sim nós somos doentes, sim nós precisamos de ter cuidados adicionais todos os dias, sim nós somos mais frágeis, mas isso não quer dizer que precisamos de ser relembrados da nossa doença sempre que encontramos alguém.

Existem também outro tipo de pessoas, que dizem compreender e respeitar a nossa situação mas continuam a menosprezar a doença. Estas pessoas não acreditam na nossa doença, acham que é tudo da nossa cabeça, acham que estamos a exagerar, e acham que não é assim tão grave. Estas pessoas são aquelas pessoas que continuam a fazer mil e uma questões sobre a nossa doença, tais como:

“Mas porque é que não podes simplesmente comer um bife com arroz num restaurante qualquer? Isso não tem glúten por isso não te vai fazer mal!”

“Sim eu sei que tens diabetes mas nem podes comer um fatia de bolo? Isto não tem quase açúcar nenhum não te vai fazer mal!”.

Estas pessoas são aquelas que acham que estamos sempre a exagerar, que levar a marmita para casa de alguém é um exagero ou que deixar de comer um alimento que nos deixa doente é um acto exagerado e que estamos a fazer mal, mas que juram que as suas intenções são boas e que só dizem aquilo que dizem porque se preocupam conosco e querem que a nossa vida seja minimamente normal!

Aceitar a doença de alguém é respeitar os limites de até onde a nossa preocupação ou curiosidade natural pode ir. Se nós como doentes dizemos que não podemos fazer isto ou aquilo, a partir do momento em que alguém põe essa afirmação em causa, está automaticamente a faltar-nos ao respeito. E não é fácil para nós vivermos com isso, porque nós já temos motivos para ficar tristes, não podemos comer o mesmo que os outro comem, precisamos de medicação ou de cuidados especiais que nos fazem sentir desconfortáveis, não podemos fazer certas coisas… Nós já temos tanta coisa com que nos incomoda, não precisamos de toda a pressão social, das dúvidas, das retaliações e das sugestões daqueles que nos rodeiam. Nós só queremos esquecer que somos diferentes, queremos viver a nossa vida da maneira mais normal possível, e da melhor maneira que conseguimos.

Apagar as coisas más da vida

Como não podemos viver isolados do mundo e precisamos de continuar a lidar com todo os tipos de pessoas, a melhor opção para conseguir ser saudável e feliz é passar uma borracha na vida.
Todos os dias são uma oportunidade de viver novamente, todos os dias são uma luta para conseguir viver melhor, com menos dores ou com menos problemas.
Quando passamos uma borracha nas coisas más que nos aborreceram ou que nos deixaram tristes, conseguimos ter esperança que o nosso dia de amanhã vai ser melhor do que o dia de ontem.
Por isso sempre que alguém vos disser algo sobre a vossa doença que vos deixe triste ou desconfortável, passem simplesmente uma borracha nisso!
A nossa vida é uma folha e somos nós que temos a caneta para escrever aquilo que nós quisermos. Não deixem que as coisas más da vida ocupem espaço na vossa folha.

Força na borracha! E com a parte azul que apaga melhor!

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