A vida das galinhas

Desde pequena que me lembro de viver rodeada de cães, gatos, pássaros, ovelhas, coelhos, galinhas, patos, perus, tudo o que possam imaginar. A vida no campo tem destas alegrias, todos os animais têm a sua função no nosso ecossistema agrícola ou doméstico, e eu tive a sorte de ser presenteada com a companhia de muitos animais diferentes. Apesar de ajudar a minha família a criar animais e ajudar a depenar galinhas e a fazer chouriças, era muito difícil para mim lidar com a morte de um “amigo”, para o ver depois no meu prato. Nunca consegui lidar muito bem com isso e quando comecei a fazer as minhas próprias refeições, experimentei a dieta vegetariana e vegana.

À medida que me ia informando mais sobre a verdade da indústria da carne, a minha revolta, raiva e nojo deste tipo de práticas, iam aumentando e cada vez me sentia melhor, por não contribuir para os maus tratos, para a falta de respeito e de compaixão para com os animais.

Infelizmente por motivos de saúde e devido às minhas 1500 intolerâncias alimentares, ter uma alimentação vegetariana foi ficando cada vez mais difícil. Com a minha intolerância ao glúten, à lactose, à soja e com a minha incapacidade de digerir leguminosas, frutos secos e sementes, depois de uma noite passada nas urgências de um hospital, os médicos aconselharam-me a mudar de alimentação. 

A ideia foi bastante revoltante para mim e eu simplesmente recusei-me a voltar a comer carne de animais que eram tão mal-tratados e mortos de uma maneira tão cruel. Não só me faz confusão a maneira como os animais são tratados, como também me faz confusão alimentar-me de animais que são alimentados de rações cheias de milho, soja e celulose transgénica. Não esquecendo das toneladas de hormonas de crescimento e dos antibióticos que estes animais tomam para crescerem mais rápido e prevenirem doenças que são causadas pelas falta de condições a que estes animais estão sujeitos.

Foi nessa altura que descobri a agricultura biológica, e as práticas que este tipo de agricultura aplica na produção de carne biológica. A produção animal em modo biológico centra-se no respeito pelo bem-estar animal, respeitando o tipo de alimentação que cada animal necessita, não recorre ao uso de hormonas de crescimento nem ao uso de antibióticos para prevenir doenças causadas pela falta de respeito para com o animal. Preferencialmente a produção animal em modo biológico também oferece aos animais as condições de vida necessárias para o animal se desenvolver e viver da maneira mais feliz e saudável possível, de acordo com o seu habitat natural. E quando chega a hora do abate, são escolhidos métodos mais éticos para diminuir o sofrimento do animal ao máximo e honrar a vida de cada animal.

A carne de frango biológico é bastante mais cara que a carne de frango convencional porque ninguém consegue alimentar, criar, abater, embalar, distribuir e vender um animal da maneira mais saudável e correcta possível por meia dúzia de euros. E para quem mesmo assim não consegue compreender o preço tão alto do peito do frango ou dos bifinhos de frango, comecem a pensar no que terá acontecido ao resto do frango, e porque é que um animal morreu para vocês apenas comerem uma parte dele.
Uma maneira que encontrei para tentar honrar mais a vida dos animais que como é comer todas as partes do animal, e no caso do frango, comer para além da carne, comer também os fígados, coração, rins, pescoços, patas, e ainda aproveitar as carcaças para fazer caldos de frango caseiros, que não só são deliciosos para usar em sopas e na comida, como também estão cheios de nutrientes que têm propriedades terapêuticas e medicinais.

Para quem ainda não sabe a verdade sobre a indústria da carne, fica aqui um vídeo chocante, que pode ferir a suscetibilidade de algumas pessoas. Não sei se em Portugal aplicam estas mesma práticas na indústria da carne convencional, mas para os nossos supermercados conseguirem vender frangos a 1€, eu aposto que deve ser bem parecido.

 

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