“Mas afinal o que é a agricultura biológica?”

Quando me perguntam o que é a agricultura biológica costumo responder que é a agricultura de verdade, porque uma agricultura de verdade é uma agricultura onde tudo é como deve ser. Os produtos são respeitados, o meio ambiente onde são produzidos é respeitado, e o consumidor final será também respeitado. A agricultura biológica é sem dúvida o modo de produção mais respeitador, saudável e feliz.

Na agricultura biológica não se recorre à aplicação de pesticidas ou adubos químicos de síntese, os produtos são cultivados respeitando a saúde do consumidor final e respeitando a saúde do meio ambiente.
Os pesticidas e os outros químicos utilizados na agricultura convencional não desaparecem simplesmente quando se lava uma alface ou se descasca uma cenoura.
Sempre me fez muita confusão ver todos os avisos tóxicos e mortais que aparecem nas embalagem de produtos químicos para agricultura, e ver a quantidade de cuidados, equipamento e proteção que os agricultores necessitam para tratar os produtos com aqueles químicos todos. Produtos esses que vão aparecer um dia numa prateleira de supermercado e alguém os vai consumir.
A mim não me conseguem convencer que esses químicos são inofensivos e que quando o alimento é consumido já não há vestígios de toxinas. Também não conseguem convencer todos os cientistas que continuam a fazer estudos que indicam que uma grande parte dos químicos ingeridos através de alimentos de agricultura convencional não conseguem ser eliminados do nosso organismo, e um corpo intoxicado de químicos tem mais chances de desenvolver doenças.
Os produtos químicos não só contaminam os alimentos que comemos, como também contaminam o meio ambiente, os solos onde cultivam os produtos, os lençóis de água que utilizam para regar os produtos, e os mares onde se encontram os peixes que também gostamos de comer. É tudo um grande ciclo vicioso de químicos que não para.

Animais que não são tratados como animais

A questão da produção convencional de produtos agrícolas não se fica só pelas frutas e vegetais contaminadas cheios de químicos prejudiciais à nossa saúde e prejudiciais ao nosso planeta. Temos ainda a questão da produção animal. A agricultura convencional não respeita os animais que produz e não respeita a saúde do consumidor final. Os animais são criados sem condições de higiene, sem espaço e sem condições de vida. Os animais tomam obrigatoriamente antibióticos para prevenir doenças e são alimentados com rações sem qualquer valor nutritivo e feitas à base de alimentos geneticamente modificados. Se até aqui não acham que estas afirmações não tem nada de mal deixem-me explicar como funciona a produção de carne de vaca. As vacas são herbívoras, logo nasceram para comer apenas erva. Erva, erva, erva. Sim erva é tudo o que as vacas precisam para sobreviver. Na agricultura convencional as vacas não são alimentadas com erva, são alimentadas com ração à base de trigo e soja geneticamente modificados, porque são os produtos mais baratos à face da terra. Ora se as vacas não são alimentadas com aquilo que é suposto serem alimentadas, as vacas ficam doentes, e se ficam doentes precisam de antibióticos. Estes antibióticos não só continuam naquele bife de vaca suculento, ou na carne picada daquela lasanha gostosa, como também continuam no leite, no queijo e iogurtes, por aí fora. Quem consome esses produtos contaminados com antibióticos, está a levar uma dose grátis de antibiótico. Para quem não sabe, os antibióticos servem para matar bactérias. Quando estamos doentes e precisamos de antibióticos é porque precisamos de matar alguma bactéria malvada que está a perturbar o nosso organismo, mas o nosso organismo também necessita de algumas bactérias boas que temos no nosso corpo, e o antibiótico mata tudo o que é bactéria. Bactéria má, bactéria boa, os antibióticos dão cabo de tudo, por isso é que precisamos de evitar ao máximo os antibióticos e usar apenas em casos de urgência e necessidade extrema.

Até os bichos têm medo

Os organismos geneticamente modificados, ou transgênicos são produtos geneticamente alterados em laboratórios, tratados com químicos para resistirem a pragas. Para explicar de uma maneira muito simples, os organismos geneticamente modificados são tão tóxicos, mas tão tóxicos que nem os bichos se querem aproximar deles, porque se se aproximam morrem.
Existem vários estudos científicos que comprovam que a ingestão de alimentos geneticamente modificados gera mutações nas células de quem consome os produtos, o que basicamente quer dizer que provoca doenças. Portugal já tem várias culturas de alimentos transgênicos, como o milho que se cultiva em algumas zonas do país. Os alimentos mais produzidos neste fantástico modo são o milho, a soja e o trigo, que são a base de quase todas as rações dos animais produzidos para consumo humano, e também são a base da maioria dos produtos consumidos pelos humanos, como as bolachas, os cereais de pequeno-almoço, os bolos, os pães…

Para mim esta situação é muito revoltante, porque quando nos alimentamos deveríamos estar a praticar um acto bom, deveríamos estar a nutrir o nosso corpo e a cuidar da nossa saúde. Mas a maneira como a agricultura se transformou nos últimos anos, de maneira a produzir cada vez mais, com o mínimo de recursos financeiros, tudo em prol da ganância humana é algo que me revolta imenso. Porque não estamos só a falar de aumentar a produção agrícola com produtos de má qualidade, estamos a falar de prejudicar imenso a nossa saúde, a saúde do meio ambiente e a saúde do nosso planeta.
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A agricultura de verdade

Na agricultura biológica não se recorre à aplicação de pesticidas ou adubos químicos de síntese, e o uso de organismos geneticamente modificados é proibidíssimo, logo ao consumirmos alimentos de provenientes de agricultura biológica, estamos automaticamente a prevenir possíveis doenças e a melhorar consideravelmente a nossa saúde e o nosso bem-estar.
A produção animal de modo biológico centra-se no respeito pelo bem-estar animal, respeitando o tipo de alimentação que cada animal necessita, não recorre ao uso de hormonas de crescimento nem ao uso de antibióticos para prevenir doenças causadas pela falta de respeito para com o animal. Preferencialmente a produção animal de modo biológico também oferece aos animais as condições de vida necessárias para o animal se desenvolver feliz de acordo com o seu habitat natural, ou seja, uma vaca que está num pasto verdejante, a comer a sua ervinha verde e fresquinha, sossegada da vida com as suas amigas, é uma vaca feliz; uma galinha que anda à solta e come o seu milho, as suas couves e minhocas, é uma galinha feliz; e um porco que come bolotas faz-me feliz a mim, porque eu gosto muito de umas bifaninhas de porco preto que anda a passear livremente pelos prados alentejanos cheios de bolotas.

Todos os produtos vegetais e animais de origem biológica são obviamente e comprovadamente mais saudáveis, mas também são obviamente mais saborosos e deliciosos porque são respeitados. Quando temos um vegetal que não é intoxicado com químicos, e que pode crescer ao seu ritmo, na estação certa com as condições certas e quando temos um animal que é alimentado como deve ser e vive com as condições certas para ser um animal feliz, obtemos produtos verdadeiros. Um produto verdadeiro é um produto que tem o sabor que deve ter, o aspecto de deve ter, a textura de deve ter, porque recebeu tudo o que deveria receber. Um produto bem tratado é um produto feliz, e um produto feliz é um produto saudável e muito saboroso.

Dá que pensar não dá?

O modo de produção de agricultura biológica não produz apenas frutas, vegetais, e animais, também produz fibras têxteis para tecidos e outros produtos vegetais que servem para produtos de cosmética, limpeza e higiene. O algodão é o tecido mais usado no mundo e para aumentar a produção de algodão também se cultiva algodão sobre a forma de agricultura convencional. Então basicamente temos químicos dentro do nosso corpo quando consumimos produtos de agricultura convencional, e temos vestimos o nosso corpo com químicos. Felizmente já há várias marcas de roupa que escolheram optar pelo algodão de origem biológica, assim como também há muitas marcas de produtos de cosmética e de limpeza, porque afinal tudo o que usamos fica em contacto com o nosso corpo.

Tudo o que é verde é bom!

A imagem verde que acompanha este artigo é o logótipo europeu de agricultura biológica. Na Europa, a agricultura biológica é alvo de legislação específica, e todos os produtos de agricultura biológica são automaticamente reconhecidos pelo logótipo europeu de agricultura biológica. Este logótipo é obrigatório em todos os produtos legislados pela entidade de agricultura biológica, o que torna uma ida às compras muito mais fácil e tranquila, para quem assim como eu se preocupa com a sua saúde e bem-estar.

A Agrobio é a principal entidade responsável pela agricultura biológica em Portugal, e para quem quiser saber mais sobre o excelente trabalho que esta associação faz pela saúde de todos nós, é só espreitar este artigo sobre a Agrobio, Associação Portuguesa de Agricultura Biológica.

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