A contaminação cruzada é um assunto que consegue ser polémico ou até desconhecido de muitos celíacos, intolerantes ao glúten e sociedade em geral.

A contaminação cruzada por glúten é uma transferência de partículas ou vestígios de glúten de um alimento para outro, directamente ou indirectamente, que pode ocorrer de várias formas possíveis. Numa mesa partilhada com alimentos com glúten, podem aparecer partículas de glúten no nosso prato se alguém comer pão com glúten e espalhar as migalhas pela mesa inteira, que não é difícil; num restaurante podemos ser contaminados com glúten se consumirmos batatas fritas que foram fritas no mesmo óleo de croquetes; e um namorado/namorada que tenha comido uma sandes mista e nos dê um beijo pode ser o suficiente para ficarmos contaminados e surgirem alguns dos sintomas que sofremos quando ingerimos glúten.

Este assunto pode ser polémico porque nem todos os celíacos sofrem com a contaminação cruzada, conheço muitos celíacos que não têm este problema, logo não acreditam na contaminação cruzada e ridicularizam os outros celíacos que sofrem com este problema, e é ainda mais polémica quando tentamos explicar os perigos da contaminação cruzada para pessoas que não sofrem com a doença celíaca nem com intolerância ao glúten.

Já me chamaram de exagerada, já me chamaram de maluca, já se riram na minha cara, já reviraram os olhos, já me disseram que era tudo da minha cabeça, que eu achava que me ia fazer mal e então o meu corpo reagia, mas no fundo era tudo invenção minha… Enfim quem tem problemas com glúten, sabe que a doença é muito pouco compreendida e aceite pela sociedade em geral, apesar de todos se quererem fazer passar por pessoas compreensivas e modernas que sabem o que é o glúten.

Pessoas à parte, no meu dia-a-dia sem glúten, e tendo eu todos os cuidados para não sofrer com a contaminação cruzada, continuo a encontrar alguns desafios para evitar a contaminação cruzada nos supermercados.

Para quem sofre e se preocupa com a contaminação cruzada, comprar apenas alimentos sem glúten não é o suficiente para não se ser contaminado num supermercado. Desde o carrinho de compras, até ao tapete da caixa TUDO está contaminado! TUDO! Tudo está cheio de migalhas num supermercado, até nas caixas automáticas no sítio onde se colocam ou recolhem as moedas, ou no dispositivo de passar os cartões de pagamento, TUDO tem migalhas de pão! TUDO! É o desespero!

Para quem ainda não conhece os perigos da contaminação cruzada num supermercado aqui ficam algumas dicas para vos ajudar a evitar que partículas de glúten alcancem os vossos alimentos ou até mesmo a vossa pele, pois existem várias pessoas que fazem reação só de tocar em glúten.  

Contaminação cruzada nos supermercados

1. CESTOS DE COMPRAS

Os cestos de compras são muito úteis para não andarmos cheios de coisas nos braços e impedir que caia tudo no chão, mas os cestos de compras também pode parecer uma “praia”, com tanta quantidade com migalhas. Para evitarmos este tipo de contaminação temos 3 opções:
1. Colocar um saco daqueles grandes de supermercado dentro do carrinho e colocar tudo dentro do saco. Depois é só tirar o saco do carrinho e ter cuidado com o glúten que fica na parte de baixo do saco.
2. Não usar carrinho e levar tudo nas mãos.
3. Não usar carrinho e colocar tudo num saco de compras.

2. TAPETE DE CAIXA DE SUPERMERCADO

Já reparam bem nos tapetes das caixas supermercados? Migalhas, migalhas, migalhas! Só migalhas! É que não há forma de escapar, estão completamente cheios de migalhas, graças aos fabricantes de pão com glúten, que acham normal o pãozinho respirar e terem sacos perfurados para espalhar migalhas por todos os lados. Aqui não há escapatória mas existem algumas maneiras de tentar evitar o pior:
1. Avisar a pessoa que está na caixa que temos “uma alergia grave à farinha do pão e às migalhas”, e para nos tentar ajudar a que os nossos produtos não passem pelo tapete e que possam sair directamente do nosso saco de compras que utilizamos dentro do supermercado, para as mãos da pessoa da caixa e depois para outro saco que colocamos no final da caixa.
2. Usar sacos de plástico a envolver os produtos. Isto irá ajudar a proteger os nossos produtos das migalhas do tapete, a pessoa que está na caixa vai achar que somos malucos, mas só vai tirar os produtos do saco quando os passar na caixa, o que vai reduzir o contacto com as migalhas. Este opção não é nada ecológica nem amiga do ambiente, mas quando não tenho sacos grandes costumo utilizá-la, especialmente quando compro peixe, e não quero contaminar os sacos do peixe que depois vou por no frigorifico.
3. Usar as caixas rápidas automáticas e fazer a passagem dos alimentos sem tocar em nada! Conseguimos fazer isso se levarmos os produtos na mão, ou num carrinho protegido com um saco de compras grande, e depois passamos os alimentos nas caixas e colocamos logo noutro saco de compras sem contaminação. Contudo não nos conseguimos livrar das migalhas que estão em contacto com a parte de baixo dos sacos, quer nos carrinhos ou nas caixas. E aqui a melhor opção é pagar com o cartão, pois apesar de poder conter algumas migalhas, há menos hipóteses do dispositivo de pagamento com cartões estar contaminado do que as ranhuras onde se colocam as moedas e notas.

3. COMPRAR EM MERCADOS, TALHOS E PEIXARIAS

É possível fazer quase todas as compras sem ir a um supermercado e sem passar por um tapete ou carrinho contaminados. Para isso basta irmos ao mercado comprar as frutas e legumes, ir ao talho para comprar carne e ir à peixaria para comprar ou peixe. Neste locais a contaminação por glúten consegue ser bastante reduzida ou até mesmo completamente eliminada. E se comprarmos produtos nacionais a produtores locais, carne nacional e peixe nacional pescado de maneira sustentável, não só estamos a reduzir as probabilidades de ficarmos contaminados com glúten através da contaminação cruzada, como também estamos a ajudar a economia do país. E se comprarmos apenas produtos biológicos, não só estamos a ajudar a economia do país, como estamos a cuidar da saúde do planeta e principalmente estamos a cuidar da nossa saúde.

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