Ter dores na menstruação não é normal

Apesar de existirem vários comprimidos para combater as dores menstruais, ter dores menstruais não é normal. Muitas mulheres sofrem de dores fortes durante a menstruação e muitos médicos afirmam que é normal, mas não é.

A menstruação é um fenómeno que ocorre de forma cíclica, sempre que uma mulher ovula, mas não engravida. Aproximadamente 7 dias antes da ovulação ocorrer, as alterações hormonais aumentam a produção da hormona estrogénio, estimulando o crescimento de células, glândulas e vasos sanguíneos no endométrio (parede do útero). O crescimento progressivo do endométrio durante o ciclo menstrual ocorre de forma a preparar o útero para uma eventual gravidez, tornando-o propício para receber o óvulo recém fecundado. Se uma mulher ovula mas o seu óvulo não é fecundado, os níveis das hormonas estrogénio e progesterona, diminuem drasticamente, o que faz com que a espessa parede de células, glândulas e vasos sanguíneos que se formou no endométrio, seja eliminada através da vagina.

A endometriose acontece quando estas células, glândulas e vasos sanguíneos saem para fora do útero e implantam-se noutros locais como os ovários, os intestinos, o recto, a bexiga, o apêndice, o diafragma e até os pulmões. Este tecido endometrial não tem como sair das partes do corpo por onde está espalhado o que gera inflamação, dor intensa e um acúmulo de tecido cicatricial.

A endometriose provoca vários sintomas, mas a dor é a principal forma de manifestação da doença, que tanto pode surgir durante a menstruação ou durante o dia-a-dia. 

A endometriose afecta 1 em cada 10 mulheres e o principal sintoma da endometriose é a dor, sendo que a sua intensidade interfere com a qualidade de vida da doente. A dor pode apresentar-se sob diversas formas, dependendo da extensão e da localização da doença. Pode ocorrer dor na região pélvica ou pode surgir dor sob a forma de cólicas intestinais, sobretudo durante a menstruação, associando-se a diarreia ou mais raramente a prisão de ventre. Se a endometriose afetar a bexiga, a dor surge durante a micção, podendo ocorrer perda de sangue na urina. As hemorragias retais ocorrem quando a endometriose invade a mucosa retal, e se a endometriose estiver estiver presente nos ureteres, pode ocorrer falência irreversível da função renal.

A gravidade da dor não é necessariamente um indicador fiável da extensão da doença. Algumas mulheres com endometriose leve têm dor intensa, enquanto outras mulheres com endometriose avançada pode ter poucas dores ou nenhumas.

A endometriose é por vezes confundida com outras doenças que podem causar dor pélvica, como a doença inflamatória pélvica, ovários poliquísticos, ou síndrome do intestino irritável, uma condição inflamatória intestinal que provoca dores e distensão abdominal, diarreia e prisão de ventre. Estas confusões dificultam e atrasam o diagnóstico correcto da endometriose, que pode demorar entre 8 a 10 anos.

É importante salientar que a endometriose, quando não diagnosticada e tratada, tem tendência a progredir, invadindo outros tecidos. 

No caso dos endometriomas (quistos de endometriose dos ovários), parece haver uma relação com um tipo de cancro do ovário, chamado carcinoma de células claras, e a endometriose nos ovários podem causar a oclusão das trompas, causando inflamação e provocando infertilidade.
Os tumores recto-vaginais podem perfurar o intestino, com peritonites (infecções abdominais graves) que necessitam de intervenção cirúrgica urgente.
A invasão dos ureteres e os tumores na bexiga podem pôr em perigo ambos os rins e são de resolução muito complexa, e as formas de endometriose no diafragma ou na pleura podem levar ao colapso dos pulmões.
Todas estas formas e consequências da endometriose reforçam ainda mais a necessidade de um diagnóstico e tratamento precoces. endo

“Engravide que isso passa”

Eu própria já ouvi esta frase várias vezes e conheço mulheres que foram operadas para retirar endometriomas justamente quando estavam grávidas. Muitos médicos dizem às suas pacientes que a gravidez é a cura para a endometriose, mas essa teoria está totalmente errada. Conheço mulheres que só começaram a ter sintomas de endometriose depois de darem à luz. Também conheço casos de mulheres com endometriose que foram sujeitas a histerectomia totais (operação cirúrgica para retirar o útero e os ovários), na esperança de ficarem curadas e voltaram a ter sintomas de endometriose.

A endometriose é uma doença crónica que não tem cura. Apesar de ser uma das doenças ginecológicas mais estudadas, muitos médicos ainda desconhecem este doença, e os que conhecem não conseguem explicar concretamente porque é que a endometriose acontece.
O que se sabe sobre a endometriose é que é uma doença hereditária e que se a nossa mãe ou irmã tiverem sido diagnosticadas com a doença, existem grandes possibilidades de também desenvolvermos a doença. Foi o meu caso, que descobri a minha endometriose depois da minha irmã ter sido operada de urgência aos ovários.

Existem alguns médicos que admitem que a endometriose pode ser classificada como uma doença auto-imune e que outras doenças auto-imunes podem estar directamente relacionadas com a endometriose como a doença celíaca, fibromialgia, lúpus ou artrite reumatóide.
Existem alguns estudos que indicam que a doença pode ser desenvolvida por influência de factores hormonais como níveis elevados da hormona estrogénio, factores ambientais como substâncias tóxicas, dioxinas e xenoestrogénios ou por factores que afectam o sistema nervoso central como o stress.

A endometriose é realmente uma doença misteriosa e invisível que faz parte da vida de muitas mulheres, mesmo sem que estas tenham conhecimento. Apesar de muitos médicos portugueses desconhecerem a doença ou desvalorizarem os sintomas, felizmente existe em Portugal uma associação, a MulherEndo, Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose, que foi fundada por uma portadora de endometriose e que tem como objetivo principal promover e fomentar o apoio, a reabilitação e a  recuperação física e psicológica das mulheres com endometriose. A informação preciosa que esta associação disponibiliza ajudou muito na construção deste artigo.

Caso tenham alguns ou vários dos sintomas descritos neste artigo, consultem um médico ginecologista especialista em endometriose.

Para saberem mais sobre a endometriose consultem:

MulherEndo, Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose
Site: http://mulherendo.pt/
Facebook: https://www.facebook.com/AssociacaoMulherEndo

Partilhem este artigo nas redes sociais para alertarem todas as mulheres sobre o facto de que ter dores menstruais não é normal!

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