Todos temos problemas

Nem sempre a vida corre como nós esperamos, mas continuar vivo já é motivo suficiente para ser feliz. A melhor coisa da vida é a vida, o sol, o amor, as pessoas, a comida, os animais, a paz, e a paz de espírito principalmente.
Existem vidas mais fáceis que outras, ou talvez esse pensamento não passe de um mito, porque todas as pessoas encontram pelo menos uma dificuldade em alguma fase da vida. Todos nós amamos, todos nós perdemos, todos nós sentimos e todos nós podemos ficar magoados. Ou pelo menos como humanos temos capacidades para tal. Quem passa por dificuldades na vida tem sempre 2 opções: parar, sofrer e chorar; ou parar, respirar e dar a volta por cima.

Somos todos diferentes e pensamos todos de maneira diferente, logo o que é difícil para um pode ser fácil para outro e vice-versa. Até aqui está tudo bem desde que as pessoas saibam respeitar o próximo. Quem nunca passou pela situação de estar a desabafar com um amigo ou familiar e receber um comentário deste género:

“Estás mal por causa disso? Oh isso não é nada eu é que tenho problemas”

Esta afirmação até pode ser verdade e a pessoa que disse isto até pode ter outros problemas que numa escala medidora possam ser piores, mas isso não dá o direito a essa pessoa de ignorar a preocupação do amigo. Todos temos direito à nossa opinião, todos temos direito aos nossos sentimentos e falar é essencial para nós aprendermos e crescermos como seres humanos, mas nem sempre é fácil obter compreensão sobre os nossos pontos de vista diferentes.

Falar do que interessa

Se um amiga minha me vier falar sobre problemas de calçado, roupa ou decoração para a casa num dia em que eu esteja a sentir dores e inflamação, provavelmente a minha resposta vai ser bastante rude e mal-educada. Estou mal fisicamente e sinto-me doente não tenho tempo para coisas fúteis.
Se uma amiga minha me vier falar sobre problemas amorosos e sobre o quanto está a sofrer, mesmo que eu esteja num dia menos bom, eu nunca desisto de lhe tentar mostrar que ela é linda e maravilhosa, e a vida é demasiado boa e preciosa para se sofrer de amor.
Se uma amiga minha me vier falar sobre problemas de saúde, mesmo que eu esteja nas minhas piores condições, eu faço de tudo para tentar pesquisar soluções para o problema dela e para tentar que a minha amiga fique melhor.

Mas isto sou eu. Eu sou assim, eu ouço todos aqueles que querem falar comigo, sobre coisas que realmente interessam e dou o meu conselho sempre que este é pedido. Porque nem sempre as pessoas querem ouvir conselhos, nem sempre as pessoas têm disposição para serem julgadas e nem sempre as pessoas querem que os outros lhe digam o que devem ou não devem fazer. Principalmente quando as pessoas estão mal.

Há sempre uma alternativa melhor

Eu sempre falei muito abertamente com todas as pessoas, gosto muito de falar, partilhar experiências e aprender coisas novas. Mas o tempo e a vida fizeram com que eu ficasse cada vez mais reservada. À medida que tenho conhecido mais pessoas, tenho aprendendo que as pessoas conseguem ser más. É chocante mas é verdade, as pessoas conseguem ser muito más, mesquinhas, invejosas, parvas, muito más.

Eu sempre fui diferente e sempre tive pensamentos diferentes e opiniões divergentes, mas o facto de as pessoas não compreenderem as minhas opiniões diferentes nunca me incomodou. Compreendo e respeito os pontos de vista diferentes e tento procurar temas de conversa em comum.
Mas existe 3 coisas que eu não suporto que me questionem e que ponham em causa: a minha saúde, as minhas doenças e a minha luta diária para tentar viver da melhor maneira que sei.
Quando temos uma doença crónica só nós é que sabemos aquilo que temos, só nós é que sabemos aquilo que nós sofremos, só nós e os profissionais de saúde que nos acompanham é que sabemos aquilo que podemos fazer para melhorar.

Tem sido muito difícil para as pessoas que me rodeiam perceberem o que é a doença celíaca e intolerâncias alimentares, porque é que eu não posso comer pão, bolos ou até uma gelatina numa pastelaria, porque é que eu não posso simplesmente comer fora ou porque é que eu não posso comer peixe com batatas em casa de alguém.
Muitas dizem que é tudo da minha cabeça, outras dizem que eu estou a fazer mal e vou ficar com carências porque não como pães e iogurtes, outros dizem que também são intolerantes mas podem comer e que eu sou exagerada e maluca. E riem-se na minha cara ou atrás dela.

Até já me perguntaram se queria ir ao restaurante para depois a seguir dizerem com a maior cara de gozo:

“Ah desculpa tu NÃO podes ir a sítios normais, esqueço-me sempre!”

Eu parei, respirei e respondi com o maior sorriso do mundo:

“Pois não, não posso ir!”

E pensei com os meus botões: não posso nem quero, não vou desperdiçar o meu precioso tempo com pessoas que me fazem sentir mal porque eu tenho uma doença. Vou mas é comer em casa que como melhor, mais saudável e ainda poupo dinheiro!

Parar, respirar e dar a volta por cima!

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